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UMA FÁBULA PARA TEMPOS SEM ÉTICA
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Já reproduzi e comentei algumas histórias que circulam
pela internet, sem autor definido. Mas, esta me chamou a
atenção pela simplicidade e poder de impacto de sua
mensagem. Gostaria de compartilhar com vocês esta
pequena fábula:
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Um homem, seu cavalo e
seu cão, haviam morrido em um acidente. Depois do
choque inicial resolveram que ficar ali, jogados no
acostamento não resolvia nada. Decidiram, então ir
andando para ver se chagavam em algum lugar. Quando
se deram conta, já estavam caminhando um bom tempo
por uma estrada deserta. Caminhada longa, sempre
morro acima, sem referenciais conhecidos. O sol
estava forte e eles acabaram ficando exaustos,
desidratados e com muita sede. |
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Nada parecia fazer sentido,
sabiam já não estar vivos! Mesmo assim, precisavam
desesperadamente de água. Após algum tempo ao contornar
uma curva, avistaram um portão magnífico, todo de
mármore, que conduzia a uma praça calçada com blocos de
ouro. No centro havia uma fonte de onde jorrava água
cristalina, com mulheres seminuas ao redor. Juntaram
suas últimas forças e correram para o esplêndido local.
O caminhante dirigiu-se ao homem que numa guarita,
guardava a entrada e o cumprimentou:
- Bom dia, ele disse.
- Bom dia, respondeu o homem.
- Que lugar é este, tão lindo? Perguntou.
- Ora! Que pergunta! Não está vendo? Isto aqui é o
céu...
- Que bom que nós chegamos ao céu, estamos com muita
sede, disse o homem.
- O senhor pode entrar e beber água à vontade, disse o
guarda, indicando-lhe a fonte.
- Mas, meu cavalo e meu cachorro também estão com sede.
- Lamento muito, disse o guarda. Aqui não se permite a
entrada de animais. E antecipando seus pensamentos,
completou: Muito menos retirar qualquer coisa e levar
para fora. Deixe-os por aí que o instinto os guiará.
O homem ficou muito desapontado porque sua sede era
grande, mas sua intuição dizia não ser correto se
satisfaria sozinho, deixando seus animais sofrendo com
sede. Eles tinham sido bons servidores e o homem os
considerava mesmo como amigos. Seja por conta do
reconhecimento desta relação de serviços bem prestados,
seja pelas dificuldades enfrentadas juntos ou por
naquele momento estarem com ele. Assim, resolveu
prosseguir seu caminho, estranhando as condições do
paraíso.
Depois de caminharem bem mais, morro acima, a sede e
cansaço se multiplicaram. Exaustos, chegaram a um sítio,
cuja entrada era marcada por uma porteira velha
semi-aberta. A porteira se abria para um caminho de
terra, com árvores dos dois lados que lhe faziam sombra.
O panorama era majestoso, porém simples e calmo. À
sombra de uma das belas árvores, um homem estava
deitado, cabeça coberta com um chapéu de palha. Parecia
que estava dormindo:
- Bom dia, disse o caminhante.
- Bom dia, disse o homem deitado.
- Estamos com muita sede, eu, meu cavalo e meu cachorro.
- Há uma fonte naquelas pedras, disse o homem e
indicando o lugar. Todos podem beber à vontade.
Todos então foram até a fonte e saciaram a sede,
aproveitando para encher alguns cantis, que
estranhamente estava por ali. Na volta, passaram pelo
fazendeiro e agradeceram:
- Muito obrigado, ele disse ao sair.
- Oh! Já vão? Nem passaram pelo pomar. Voltem quando
quiserem , respondeu o homem.
- A propósito, disse o caminhante, qual é o nome deste
lugar?
- Aqui é o Céu, foi a resposta.
- O Céu? Mas o homem na guarita ao lado do portão de
mármore disse que lá era o Céu!
- Oh, não! Aquilo não é o Céu, aquilo é o Inferno.
Depois do portão dourado há um abismo eterno...
O caminhante ficou perplexo, mas parou para pensar e
disse:
- Mas, então, disse ele, essa informação falsa deve
causar grandes confusões.
- Absolutamente, respondeu o homem, agora resplandecendo
uma luminosidade ímpar. Na verdade, eles nos fazem um
favor.
- Como assim?
- É porque lá ficam aqueles que são capazes de abandonar
até seus melhores amigos. Onde há respeito pela vida e
pela condição do outro não há lugar para os que têm o
egoísmo como norte. Aqueles que são capazes de
reconhecer os benefícios que receberam e tratam seus
subordinados – sejam homens ou animais – com justiça e
dignidade quando chegam aqui são bem vindos.
- Mas eu não achei que fazia tanto. Apenas seguia o bom
senso, exclamou o viajante.
- Aquilo que você chama de bom senso é algo longamente
formado, para muitos é difícil esta vitória. Vão em paz,
ou fiquem conosco, se quiserem. Aqui é um lugar infinito
de perfeições. Vocês irão gostar.
- E os que ficaram lá, o que será deles?
- Vê-se que é realmente uma boa alma. Depois de
atravessar o portão dourado indo à busca de água, dos
prazeres ou do que estiverem desejando, encontrarão a
decepção e o vazio das máscaras que caem – junto com
eles, no vale tenebroso e profundo.
- Eles ficam lá para sempre?
Oh não! Isto também é ilusão. Mas perdura até o momento
em que, cansados de sofrer decidam melhorar-se. Mas,
antes eles terão que vencer o pior dos demônios e,
então, escalar, palmo a palmo, a profundidade a que se
lançaram. Somente depois é que poderão aparecer por aqui
e implorar para recuperar o tempo perdido.
- Nossa! Que coisa. Posso perguntar quem é a besta que
devem enfrentar.
- Claro! São eles mesmos. O pior inimigo reside no
interior de cada um. Ele tem duas faces e chama-se: Não
me Importo e Não Tenho o Suficiente. A maioria sucumbe
perante sua própria iniqüidade e, neste trajeto causa
dor, fome e destruição por onde passa ou gerencia suas
empreitadas.
Como diria Pascal: É melhor fazer a aposta e acreditar
na sobrevivência da alma e na necessidade de uma vida
ética e pautada pela justiça e eqüidade. Se houver
apenas o vazio por lá, você não perdeu nada e nem sequer
existirá para pensar isto, já que seus átomos estarão
dispersos no espaço. Mas se houver uma continuidade
qualquer e você não se importou de viver à custa de
danos e mágoas infringidos a outros...
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| Luís Sérgio Lico é
Filósofo, Consultor, Escritor e Conferencista.
Desenvolve Treinamentos Organizacionais Taylorizados e
Palestras de Alto Impacto em Motivação. Especialista em
Excelência Profissional, Professor Universitário e Autor
do Livro: O Profissional Invisível. E-mail: ola@consultivelabs.com.br
Visite o site:
www.consultivelabs.com.br |
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Leia o artigo:
"Quem mexeu no
nosso Queijo" |
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