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QUEM MEXEU NO NOSSO QUEIJO ?

:: Ricardo Vacaro :: Francisco Paula Lima Filho, consultor, na época presidente da Anpar - Associação Nacional de Administração Participativa - ao iniciar sua palestra, olhou de um lado a outro do auditório lotado, fez silêncio e profetizou: "Se eu voltar aqui, em um ano, a maioria absoluta das empresas de vocês terá desaparecido." A platéia ficou atônita.

Talvez ele tenha exagerado no tempo, afinal um ano não foi suficiente para quebrar um setor inteiro. Bem que o Collor tentou, mas não conseguiu.
 
O fato é que a grande maioria das empresas representadas por aquela audiência de uma centena de pessoas, na noite de 17 de abril de 1990, na ADPL - Associação Nacional dos Distribuidores de Produtos de Higiene e Limpeza - hoje Abralimp, simplesmente desapareceu.

Por grande maioria, entenda-se: dezessete anos depois da sua fundação, menos de um terço das empresas que fundaram a ADPL sobrevivem.

Do quadro de associados da Abralimp - Associação Brasileira do Mercado Institucional de Limpeza - apenas 24% são distribuidores.

Recente pesquisa do Industrial Performance Group, nos Estados Unidos, realizada entre 750 fabricantes e 500 distribuidores, revelou que 82% dos fabricantes e 92% dos distribuidores consideram que a sua performance em vendas e a sua rentabilidade estão sendo negativamente impactadas devido a problemas de relacionamento entre ambos.

A mesma pesquisa revelou ainda que 49% dos fabricantes e 42% dos distribuidores consideram seu nível de comprometimento muito baixo.

Será que aqui no Brasil o resultado desta pesquisa seria diferente? Acredito que, com pequenas variações, o resultado seria muito parecido.

O que aconteceu, o que está acontecendo e qual será o futuro do canal distribuidor no mercado de limpeza institucional? Você, como eu, deve ter muitas perguntas sem respostas. 

Além disso, eu gostaria de saber: quais as razões para uma taxa de mortalidade tão alta? A importância deste canal para as indústrias está diminuindo? Por que é tão tênue a relação entre fabricantes e distribuidores? O que mudou no ambiente de negócios deste mercado? Quantos distribuidores existem hoje no país? O que aconteceu com a representatividade política dos distribuidores? Qual a participação dos distribuidores no bolo total? Qual a participação dos outros canais (supermercado, atacado) no mercado institucional? O que os sobreviventes fizeram para chegar até aqui? Dá para apostar neste canal daqui para frente? Quais os outros canais que concorrem ou concorrerão com os distribuidores daqui para frente? Com o advento da Internet, as fábricas prescindirão dos distribuidores e atenderão aos clientes finais diretamente? É possível estabelecer uma relação de confiança com a indústria?

Bem, por ora chega. Acho que teremos oportunidade de tentar responder a essas e outras questões juntos num encontro de distribuidores que acontecerá durante a Higiexpo, no Expo Center Norte, dia 10 de setembro, das 18 às 20h30, no auditório 3. 

Encontro vocês lá.

Até a próxima.
 
Artigo escrito por: Ricardo Vacaro
Diretor da RL Sistemas de Higiene Ltda.
 
Leia o artigo: "A importância da Reciclagem"
 
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