Iniciamos este artigo, com um breve relato a respeito da
engenharia não convencional. Em engenharia trabalha-se
com Projeto de Experimento, que é uma abordagem técnica
especializada que objetiva mensurar por medição, os
efeitos de variáveis do processo por meio da realização
de experimentos.
Um experimento é um procedimento no qual são feitas
alterações propositais nas variáveis de modo que se
possa avaliar as possíveis alterações nas respostas
ou resultados. Um projeto de experimentos consiste de
uma sequência de experimentos em que são feitas alterações
simultâneas em diversas variáveis segundo um arranjo
ortogonal, possibilitando com relativamente poucos
experimentos medir com precisão o efeito de várias
variáveis.
Agora vamos ao assunto da vez: “Engenharia” da
Limpeza”
Quando o assunto é a terceirização dos serviços de
Higienização e Limpeza pode-se observar outro
panorama, com os segmentos de hospitais, shoppings, hotéis,
complexos corporativos e plantas industriais estando
inseridos neste mercado.
Nestes segmentos, existem os que já nasceram com as
atividades de Limpeza terceirizada e possuem esta
cultura, e os que ainda não demonstram interesse em
terceirizar, por diversas razões e paradigmas
praticados. São neles, portanto, que o trabalho de
convencimento é longo e requer profunda argumentação
e contra-argumentação para que as prestadoras consigam
uma abertura para apresentar a proposta de um
projeto-piloto, podendo o processo levar meses ou até
anos.
Façamos, agora, uma rápida análise de como cada um
destes segmentos encara a contratação de serviços de
limpeza:
- Setor de shoppings: é aquele onde existe a maior
cultura para terceirizar os serviços. Por outro
lado, é também aquele que exige sempre o menor
investimento e uma grande qualidade nas prestações,
tornando complexa a conciliação de um nível de
qualidade de padrão internacional com o baixo custo
desejado. Por isso, o volume de contratos é
importante para viabilizar a operação neste
segmento.
- Complexos corporativos: repete-se aqui a situação
do setor anterior, por se tratarem de condomínios
onde os custos de Limpeza são repassados aos locatários
e proprietários, que nunca aceitam facilmente o
aumento das cotas condominiais. A exceção fica por
conta dos edifícios-sede de grandes corporações,
que não estão preocupadas somente com o menor
custo, exigindo também qualidade.
- Complexos multi-corporativos:existe ainda a
agravante do gerenciamento normalmente efetuado por
terceiros, que sempre forçam o menor custo, mas
exigem excelente qualidade dos serviços. Como os
inquilinos e proprietários querem cotas de condomínio
sempre reduzidas, ninguém deseja sequer ouvir falar
em aumento das cotas para melhoria da qualidade dos
serviços de Limpeza e, por isso, nem sempre o
melhor serviço é contratado.
- Setor hospitalar: neste segmento, o mais
importante é a quebra de paradigmas, uma vez ser
comum a premissa de que a equipe própria garante
mais segurança, menos riscos e melhor
comprometimento. De forma muito lenta, este conceito
está mudando e alguns hospitais já terceirizam sua
Limpeza, em número, entretanto, ainda incipiente.
Resta, assim, um trabalho de médio e longo prazos a
ser desenvolvido pelas prestadoras.
- Mercado hoteleiro: persiste aqui quase o mesmo
paradigma dos hospitais com relação à equipe própria:
priorização e garantia da segurança de seus hóspedes,
respeito aos mesmos e confiabilidade nas operações.
Embora já existam diversos hotéis com serviços de
Limpeza terceirizados, este é um mercado ainda em
desenvolvimento, necessitando de um trabalho de
convencimento de que a terceirização pode trazer
redução de custos, otimização de recursos e o
emprego de equipes bem treinadas e atualizadas nas
melhores e mais modernas técnicas da Limpeza
eficiente e e ficaz.
- Setor industrial: este é o mercado de 1ª linha
que todas as prestadoras de serviços de limpeza
priorizam em seu planejamento, pois desejam ter este
segmento em seu portfolio. Nele, os clientes fazem
questão de pessoal qualificado, treinado e que fale
a mesma linguagem técnica, exigindo, ainda, uma
relação de confiança com os terceiros. Neste
segmento, não é somente o custo que decide, até
porque há segredos industriais envolvidos e,
normalmente, os contratos possuem, no mínimo, 24
meses de duração, com opção de renovação por
igual período, o que permite estabilidade e confiança
mútua entre o tomador e o prestador dos serviços.
Há um comprometimento de parceria de ambas as
partes para otimização dos recursos e alcance de
índices de desempenho de excelência.
Ainda na limpeza industrial, a higienização interna
de tubos, caldeiras e tanques, são integrantes de critérios
perfeitos, e ampla ligação com a engenharia de manutenção.
Sempre que estamos frente a um projeto destinado a
instalações sanitárias não devemos pensar apenas em
atingir as metas de capacidade de produção, mais também
as metas de qualidade obtidas por uma limpeza adequada
dos sistemas após cada etapa ou batelada de produção,
e desta forma existem Normas, Regulamentos e Portarias
que determinam qual é o nível mínimo aceitável de
limpeza para as instalações antes de começar uma
produção.
As instalações sanitárias que requerem este tipo de
tratamento são principalmente as existentes nas Indústrias
Alimentícias, Cosméticas, Farmacêuticas e de
Biotecnologia, e é aqui onde nasce a necessidade da
inclusão dos diferentes sistemas de limpeza para cada
aplicação específica.
Podemos dizer que dependendo das exigências do produto
manufaturado, os sistemas de limpeza serão mais ou
menos estritos quanto a sua concepção, capacidade de
limpeza e efeito final nas instalações lavadas,
sanitizadas ou esterilizadas.
Conforme estas exigências, podemos separar os sistemas
de lavagem, sanitização e esterilização como segue:
- Sistema de lavagem " Washing in Place" -
WIP
- Sistema de lavagem por arraste - PIG
- Sistema lavagem "Cleaning in Place" -
CIP
- Sistema de sanitização e/ou esterilização
"Steam in Place" - SIP
Cada um destes sistemas atinge um padrão de
sanitariedade diferente sendo necessário estabelecer
qual é o sistema mais indicado para cada instalação.
Dependendo da complexidade das instalações, estes
sistemas poderão ou deverão ser incluídos nos
projetos isoladamente ou combinados de acordo com as
exigências do produto final.
Se houver interesse podremos enviar matérias
complementares.
Neste segmento, há indústrias que já nasceram com a
limpeza terceirizada, e outras não, existindo, até
mesmo, casos de tal duplicidade em um mesmo conglomerado
empresarial. Em resumo, trata-se de um setor que
normalmente exige qualidade e confiabilidade dos serviços
e da equipe, devendo ser realizados por empresa idônea
e reconhecidos no mercado por sua seriedade e
comprometimento. Nessa linha, cabe ainda enfatizar que,
conforme já mencionado, o custo dos serviços é,
evidentemente, um fator muito importante, mas não o
principal para que um contrato venha ou não a ser
fechado.
Veremos agora, em linhas gerais, como se desenvolve o
processo de contratação e as questões básicas que o
propenso tomador de serviços de Limpeza costuma
considerar, avaliar e/ou formular ao buscar um eventual
prestador:
Quantas pessoas vou ter que demitir?
Quanto essas demissões vão nos custar?
Vamos reduzir custos com a terceirização ou não?
Quais as vantagens do processo? Estamos pensando somente
em reduzir custos ou em contar com um parceiro de longo
prazo, que disponibilize pessoal sempre atualizado e
treinado? Quem vai cuidar de nossa atividade-meio, para
que possamos pensar somente em nosso core-business e na
melhoria contínua de nossa qualidade?
Quanto vamos reduzir por mês em nosso atual custo de
Limpeza? E qual será o pay-back do nosso custo de
demissões?
Estamos convictos de que a atividade de Limpeza não é
parte integrante de nosso core business e sim uma
atividade-meio?
Os sistemas críticos de Limpeza de máquinas e
equipamentos que podem afetar a produção continuarão
sob nossa responsabilidade ou serão também
terceirizados? Quais são os riscos?
A gestão dos equipamentos, acessórios e produtos de
Limpeza irá ou não continuar conosco?
Sem dúvida, apenas estes 7 itens são motivo de muitas
horas de conversa e reflexão no âmbito da equipe técnica
do futuro contratante, levando eles, em média, de 2 a 5
meses - e até mais, em muitos casos - para serem
inteiramente digeridos É assim que funciona este
mercado no Brasil.
Em se tratando de Departamentos Comerciais de empresas
de médio/grande porte, não se fecham 10 ou 15
contratos por ano (por vendedor) porque, por exemplo,
para assinar um contrato de média monta (entre R$ 50 e
70 mil mensais), leva-se de 3 a 8 meses entre a primeira
reunião e o efetivo fechamento, salvo exceções
emergenciais.
Neste negócio pensa-se, portanto, nos médios e longos
prazos, com as decisões passando por vários processos
de avaliação no futuro cliente, incluindo os níveis
gerenciais da operação da Limpeza.
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